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A Biblioteca Pública de Braga (BPB) apresenta até 29 de maio a exposição "O Povo saiu à rua: 40 anos de eleições livres em Portugal". A efeméride é evocada com uma centena e meia de referências em 12 escaparates, desde livros académicos, programas partidários, biografias de políticos mediáticos, jornais partidários, pins, autocolantes e ainda notícias sobre vários momentos antes e após o ato eleitoral. A entrada é livre, todos os dias úteis, das 9h00-13h00 e 14h00-18h00.

A imprensa é o destaque da mostra e está agrupada por temas. Vê-se pela primeira vez fotos de mulheres a votar e nas mesas de voto (como uma senhora de 90 anos), um artigo a alertar que “O voto das mulheres não é o voto da reação”, os incidentes, os ataques às sedes dos partidos, os comícios, o recenseamento, as indicações da Comissão eleitoral ou o anúncio da mudança da data das eleições (eram 16 dias antes).

Há igualmente editais com os candidatos no distrito, incluindo nomes como Viriato Capela, hoje diretor da Casa Museu de Monção/UMinho, José Manuel Mendes, professor de Ciências da Comunicação da UMinho, ou Victor de Sá, que cedeu boa parte do seu espólio à UMinho. Também curioso é o suplemento Igreja Viva do “Diário do Minho”, que ainda existe, a ensinar em duas páginas as pessoas a votar. Ou mesmo os resultados garrafais das eleições n’“O Comércio do Porto”, onde se indica que a profissão mais representada entre os eleitos era (ainda é) a de advogado.

Afluência de 92% dos eleitores

 

Um ano após o derrube da ditadura, as primeiras eleições livres do país, por sufrágio direto e universal, foram as mais participadas de sempre, com 92% dos cidadãos recenseados. Estas eleições permitiram a convocação da Assembleia Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1976.

Para o diretor da BPB, seria difícil incluir na mostra todos os documentos que esta unidade cultural da UMinho possui sobre o tema. “Trata-se naturalmente de uma seleção séria e isenta, que, como é hábito nas nossas exposições regulares, procura estimular para leituras mais aprofundadas no nosso espólio, além de sublinhar a projeção cultural da Biblioteca e tentar atrair novos públicos”, realça Elísio Araújo. “Muitos visitantes vão certamente recordar coisas que viveram. O que se passou há 40 anos foi - e continua a ser - muito marcante para as pessoas e para o país”, frisa.

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publicado às 13:47



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