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No próximo dia 28 de dezembro, às 16h00, a Companhia Nacional de Bailado traz ao Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, uma reinterpretação insólita do clássico “Quebra Nozes”. A obra original, escrita em 1816, salta para o século XXI numa versão repleta de metáforas e simbologias.

 

Embora desconheçamos a origem da maior parte das tradições que herdamos, já de outras destrinçamos bem o seu começo. O bailado “Quebra Nozes” é uma dessas tradições inventadas, que vê aqui, nesta versão coreografada por Fernando Duarte, com dramaturgia e encenação de André e. Teodósio, uma brilhante hipótese de reinvenção. Pensada para os espetadores de hoje, diariamente assaltados por explosões de eventos múltiplos, esta versão pretende exponenciar a relação espelhada entre o novo e o velho, entre a alta e a baixa cultura, entre o real e as analogias, entre o melhor de dois mundos complementares presentes no reino de uma única Clara, ser humano cruzado de Alice e Oliver Twist.

 

Nesta versão do “Quebra Nozes”, André e. Teodósio propôs-se repensar o clássico e vesti-lo com referências dos nossos dias. Os bailarinos tiram selfies, há chapéus em forma de smiles, hápin ups tatuadas, há referências ao wrestling, alusões ao universo de Andy Warhol e à Disney, sempre com o classicismo do ballet que não é posto em causa, não estivéssemos perante a Companhia Nacional de Bailado. Este “Quebra Nozes Quebra Nozes” quebra as convenções do espetáculo clássico que conhecemos apresentando uma obra em aberto, um quebra-cabeças, um devaneio onírico em que as linhas definidoras da história original adotam símbolos contemporâneos.

 

Apesar da nova roupagem dada a este “Quebra Nozes”, as questões ideológicas da obra original permanecem: “O que tentei fazer com o espetáculo foi, de alguma forma, funcionar como um antropólogo, ver várias versões da peça, perceber como se inscrevia historicamente, qual o seu percurso, quais as figuras de estilo utilizadas para maximizar a valorização dos binómios mundo velho/mundo novo, infância/idade adulta, belo/feio, fantasia/realidade”, explica o encenador.

 

André e. Teodósio não quer alimentar antagonismos com esta reinterpretação, ele pretende antes mostrar as várias camadas que temos, os vários lados que nos compõem e que, sendo múltiplos, não deixam de ser unos. “Este é o espetáculo mais complexo que alguma vez fiz. Tem imensas ideias, imensas metáforas e mostra que temos várias identidades e que somos todos feitos de vários mundos, ao mesmo tempo que continua a ser um bailado romântico. Sobretudo mostra-nos que o final, no espetáculo tal como na vida, está sempre em aberto”.

 

Ao longo do século XX, muitos coreógrafos criaram as suas versões estando sempre presente a questão do limite entre o sonho e a loucura. É sobretudo a partir dos anos 40 do século XX, com a viagem transatlântica do espetáculo da Europa (onde não tinha ainda conhecido o sucesso) para os Estados Unidos da América, que se vai tornar um verdadeiro ícone, não só do bailado, mas também do Natal. “Não queria fazer um travestismo nem desconstruir o espetáculo, mas queria repensá-lo. Foi esse lado ‘emigrante’ do espetáculo que me mostrou o que queria fazer e a importância das dicotomias.”

 

A riqueza da obra reside na tangência de dois mundos que aqui se encontram em zonas misteriosas, no limbo entre o sonho e a realidade, o real e o fantástico, a infância e a idade adulta, a vida e a morte, o consciente e o inconsciente. “O espetáculo é sempre sobre perder, perder, perder. E quando digo que também é sobre a identidade não é para chegar a ela, pelo contrário, é para sair de ideias pré-definidas e alcançar sítios abertos e infinitos.” Um sonho tornado realidade: eis como definir “Quebra Nozes Quebra Nozes”.

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publicado às 20:35



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