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Junho é mês de teatro em Guimarães

por JORNALdeFAFE, em 01.06.15

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De 04 a 13 de junho, os Festivais Gil Vicente retornam a Guimarães para mais duas semanas de teatro. Há teatro para todos os gostos com uma programação que reúne no cartaz o que de melhor se faz no teatro contemporâneo em Portugal. Há também uma série de atividades paralelas para os amantes do teatro conhecerem melhor o processo artístico por detrás das criações. São 28 anos ininterruptos a celebrar a arte teatral, um feito extraordinário pela longevidade e que merece, de ano para ano, toda a atenção pela qualidade das produções que sobem ao palco.

 

 

Pensar o programa para um dos Festivais de maior longevidade no país, implica (também) tentar caraterizar esse mesmo país de forma profunda, através do mapeamento das ideias e do estado da sua criação atual, projetando para os vários palcos de apresentação a exploratória diversidade atribuída à obra de Gil Vicente. As imensas possibilidades da criação contemporânea jogam-se agora pelas mãos de uma geração de artistas que, abertos à transformação do país e do mundo, transportam para dentro das suas composições um inconformismo estético e um discurso que ora levanta questões, ora repõe a necessidade de produzir respostas.

 

Os Festivais Gil Vicente têm início já esta quinta-feira, no Centro Cultural Vila Flor, com a peça de Dinarte Branco e Nuno Costa Santos, “I Don’t Belong Here”, um projeto artístico sobre a problemática da deportação. Em palco vão estar homens e mulheres que foram expulsos dos EUA e do Canadá, depois de terem cumprido penas de prisão, e foram viver para uma espécie de pátria estrangeira – o sítio onde nasceram, mas no qual não se sentem em casa.

 

No dia seguinte, 05 de junho, o festival desloca-se para a Plataforma das Artes e da Criatividade onde é apresentada a peça “Orlando”, de Sara Carinhas e Victor Hugo Pontes. “Orlando”, de Virginia Woolf, é uma biografia fábula de um ser que nasce homem e, a meio da sua vida, acorda mulher. Os criadores aceitaram o mútuo desafio de pôr em cena a coreografia deste corpo ficcional, a recriação deste mundo e as questões de género e de tempo, num solo que é a cartografia biográfica da personagem, mas que será e não será o texto de Woolf.

 

Este sábado, dia 06, novamente no Centro Cultural Vila Flor, é a vez do Teatro Oficina, companhia da cidade, trazer aos Festivais Gil Vicente a peça de Annie Baker, “Círculo de Transformação em Espelho”, espetáculo que estreou no 31º Festival de Teatro de Almada onde foi aclamado pela imprensa internacional, nomeadamente pelo The Guardian. Em “Círculo de Transformação em Espelho”, cinco atores convidam o público a participar num exercício teatral onde são todos testemunhas e vítimas de uma transformação comum.

 

A segunda semana do festival prossegue no dia 11, quinta-feira, no palco do Grande Auditório do CCVF, com a peça de Tonan Quito e Pedro Gil, “Fausta”. Este espetáculo nasce do desafio lançado à escritora Patrícia Portela e tem como ponto de partida o seu mais recente romance, “O Banquete”. O público reúne-se para ouvir uma mulher que narra a sua vida depois de morta na voz de dois homens.

 

No dia seguinte, dia 12, a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade recebe a peça“Oslo - fuck them all and everything will be wonderful”, o segundo projeto de parceria entre o dramaturgo Mickaël de Oliveira e o encenador Nuno M Cardoso. “Oslo” é uma peça sobre “tudo” o que não retrata: a relação entre uma mãe (Mónica Calle) e a sua filha. Ambas vivem numa casa, longe da cidade, visitada por várias pessoas, uma amiga da família (Raquel Castro) e quatro homens (todos representados por Albano Jerónimo) com funções distintas. O espetáculo é sobre o que escapa ao retrato: uma tentativa de viver sem a perda.

 

Os Festivais Gil Vicente terminam no dia 13 de junho, no Centro Cultural Vila Flor, com “António e Cleópatra”, uma encenação de Tiago Rodrigues para a Mundo Perfeito. Este “António e Cleópatra” não é a peça de William Shakespeare. É uma peça original, escrita e dirigida por Tiago Rodrigues, e interpretada pela dupla de coreógrafos Sofia Dias e Vítor Roriz. “António e Cleópatra” é um inventário de dicotomias: oriente e ocidente; razão e sentimento; masculino e feminino; política e sexo; guerra e amor; trabalho e ócio; tragédia e comédia.

 

Todos os espetáculos dos Festivais Gil Vicente têm início às 22h00. Como tem sido habitual, ao cartaz principal do festival junta-se um conjunto de atividades paralelas que prometem multiplicar as possibilidades de vivência da criação teatral. No dia 04, às 15h00, na Plataforma das Artes e da Criatividade, está agendada a apresentação do “Atividário Teatro”, do escritor Ricardo Henriques e do ilustrador André Letria. Editado pela Pato Lógico, “Teatro” é o segundo Atividário que Ricardo Henriques e André Letria publicam, depois do premiado “Mar” (2012).

Também no dia 04, após o espetáculo “I Don’t Belong Here”, Dinarte Branco senta-se à conversa com o público para falar sobre o desafio de construir uma peça de teatro com um grupo de “não atores”, ex-criminosos e em profunda e constante revolta com a sua condição de deportados.

 

No sábado, dia 06, às 15h00, o Teatro Oficina realiza um ensaio aberto do “Círculo de Transformação em Espelho”, uma oportunidade única para estudantes e alunos de artes performativas interessados em conhecer melhor o processo de criação de um espetáculo.

 

No dia 10, das 19h00 às 22h00, a Sala de Ensaios do CCVF acolhe uma masterclasse com Mickaël de Oliveira, intitulada “Escrever para o Palco”. No âmbito da apresentação do espetáculo “Oslo”, Mickaël de Oliveira propõe, assim, uma masterclasse sobre o processo criativo que deu origem à respetiva criação, em cocriação com Nuno M Cardoso, e sobre o trabalho que tem desenvolvido nos últimos anos no seio do Colectivo 84, estrutura que cofundou com o ator e encenador John Romão. A masterclasse procura abordar os diversos modos e modelos possíveis de trabalho dramatúrgico e cénico, incluindo o trabalho específico empreendido em “Oslo”, alargando a reflexão aos demais trabalhos do Colectivo 84, em diálogo com contextos artísticos nacionais e internacionais, que fundam as suas propostas a partir da ideia de “escrita de palco”. A frequência na masterclasse é gratuita, mas pressupõe inscrição prévia que poderá ser efetuada através do formulário disponível no site www.ccvf.pt.

 

No dia 11, após o espetáculo “Fausta”, é a vez de Tonan Quito e Pedro Gil se sentarem com a audiência para conversar sobre o processo de criação da peça previamente apresentada. No dia 13, às 19h00, o Café Concerto acolhe, no seu ambiente informal e descontraído, um debate sobre teatro Contemporâneo: a nova geração, sua formação e locais de apresentação. A importância da formação, a relação entre teatro profissional e as escolas de artes e ainda as pontes de colaboração entre os diversos agentes do meio teatral para estruturação do caminho futuro, serão pontos em discussão numa conversa aberta à participação da plateia. O debate contará com a participação de Tiago Porteiro, Marcos Barbosa e Mickaël de Oliveira.

 

Este ano, os Festivais Gil Vicente estabelecem uma relação muito direta com o curso de Teatro da Universidade do Minho, através da integração do “Andando II”, uma mostra de trabalhos de Escolas de Arte de Guimarães, com um vasto programa a acontecer entre os dias 30 de maio e 19 de junho, em vários locais da cidade. Um gesto de abertura e encorajamento que expressa bem o quão a cidade está empenhada em abraçar este elo fundamental da vivência artística de Guimarães, os vários cursos de formação artística, nomeadamente os que são oferecidos pela Universidade do Minho. 

 

Os bilhetes para os espetáculos dos Festivais Gil Vicente têm um custo de 7,50 eur / 5,00 eur com desconto e podem ser adquiridos no Centro Cultural Vila Flor, na Plataforma das Artes e da Criatividade, Lojas Fnac, El Corte Inglés, Worten, entidades aderentes da Bilheteira Online, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bilheteiraonline.pt. Encontra-se também disponível uma assinatura pelo valor de 25,00 euros, que dá acesso a todo o programa, parque de estacionamento gratuito em dias de espetáculo e ainda uma visita às exposições patentes no Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

 

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publicado às 15:14



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