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Raul Sarmento.png

 

Os cientistas do LIP-Minho (Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas na Universidade do Minho) vão continuar a “caçar” raios cósmicos até 2025 no Observatório Pierre Auger, na Argentina. O acordo internacional de renovação foi assinado por 16 países e envolve 500 cientistas, 18 deles portugueses (Minho, Lisboa e Coimbra).

 

Raul Sarmento trabalha a partir de Braga e considera que Portugal, membro do Observatório desde 2006, tem dado contributos importantes na recolha, análise e interpretação dos dados. Além disso, explica, a equipa lusa participou ativamente na pesquisa e no desenvolvimento para melhorar os detetores nesta nova fase, designada AugerPrime.

 Protótipo de uma estação de AugerPrime na pampa

A Terra recebe a cada dia um dilúvio de raios cósmicos, entre os quais alguns com uma energia dez milhões de vezes superior à obtida no LHC (Suíça), o maior acelerador de partículas da humanidade. Donde no universo vêm estes raios invisíveis a olho nu, qual a sua natureza e como atingem energias assim tão elevadas? Para os detetar, o Observatório Pierre Auger usa 1660 tanques com 12.000 litros de água cada, separados 1.5 km entre si, e vinte telescópios sensíveis à radiação ultravioleta. Na prática, os raios cósmicos chocam com as moléculas na estratosfera, a 20 km do solo, e geram cascatas de partículas secundárias. Estas, ao interagirem com a água dos tanques do Observatório, emitem uma luz, que se converte em eletricidade pelos detetores.

 

No maior detetor de raios cósmicos do mundo, que se estende por 3000 km2, vai-se agora melhorar a capacidade dos detetores, adicionando cintiladores e ainda eletrónica ultrarrápida de aquisição de dados, facilitando a distinção dos tipos de partículas que chegam ao solo e duplicando a quantidade de informação recolhida. Vários alunos e bolseiros do LIP-Minho e do Centro/Departamento de Física da UMinho têm estudado nesta área. Espera-se que o AugerPrime possa, por exemplo, determinar qual é a massa destes raios cósmicos e provar a hipótese de se fazer astronomia com energias extremas.

 

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publicado às 16:46



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