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Este sábado, 09 de maio, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, é palco para a estreia absoluta de “Britânico”, a mais recente encenação de Nuno Cardoso. A companhia Ao Cabo Teatro recupera esta obra de Jean Racine, consciente da complexidade de um texto que não perde atualidade, quatro séculos depois da sua primeira representação. Nuno Cardoso, encenador cujos trabalhos têm sido aplaudidos pelo público do Centro Cultural Vila Flor, regressa, assim, a Guimarães para estrear novamente uma das suas peças. O espetáculo está marcado para as 21h30.

 

Nuno Cardoso encena “Britânico”, de Jean Racine, reafirmando todo o seu talento e ousadia, ao pegar sem medo numa obra que se revela um desafio para qualquer encenador. Um texto complexo mas sempre contemporâneo, como compete aos grandes escritores, com um enredo que fez da obra uma tragédia de caráter e que, na época, serviu para calar os críticos de Racine que teimavam em não lhe reconhecer a qualidade merecida que a história viria a confirmar. Com “Britânico”, Jean Racine afirma-se como um dramaturgo de referência e deixa a sua marca na literatura.

 

Nesta peça, Racine sintetiza o virtuosismo reconhecido da sua escrita com um tema que reflete sobre os valores civilizacionais: o poder, a honra, a verdade. Sendo o único criador moderno de tragédias míticas, o dramaturgo tem a sabedoria de decompor psicologicamente os mitos de que se serve, reduzindo-os à sua dimensão mais humana. Ao pôr em cena a monstruosidade das personagens, Racine cria um quadro em que a necessidade e o jogo político são abandonados às paixões, em que o sangue contamina a luta pelo poder.

 

Em “Britânico”, tragédia em cinco atos representada pela primeira vez em 1669, Racine constrói um singular objeto. De uma só vez, o dramaturgo sintetiza o virtuosismo amplamente reconhecido da sua escrita. “Britânico” é, simultaneamente, uma peça que reflete sobre os valores civilizacionais como o poder, a honra, a verdade; e efetua um mergulho profundo sobre o psicologismo das personagens. De facto, ao pôr em cena a monstruosidade das suas personagens — Nero, Agripina, Britânico, Burro, Narciso, etc. —, Racine cria um quadro em que a necessidade e o jogo político são abandonados às paixões, em que o sangue contamina a luta pelo poder, e em que a inelutabilidade funesta do futuro se define pela preponderância da violência e do maquiavelismo face ao amor e à esperança.

 

Com este projeto, a Ao Cabo Teatro procura prosseguir um dos percursos há muito definidos para o trabalho artístico, o qual pode ser enunciado em poucas palavras, e cuja simplicidade contém toda a potência do trabalho teatral: o exercício de um modelo de criação que concita um contínuo de saberes teatrais, que aprofunda e qualifica a experiência dos seus intervenientes, permitindo a experimentação real e propiciando a inovação das linguagens.

 

Sandy Kilpatrick abre programação de maio

do Café Concerto do CCVF

 

Esta sexta-feira, 08 de maio, a partir da meia-noite, o Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor recebe Sandy Kilpatrick, cantautor escocês que se mudou para Portugal pela imperativa força do amor. Inspirado pela música folk, Sandy Kilpatrick procura na criação musical um exercício de regresso à simplicidade. Num mundo cada vez mais agitado, que teima em girar cada vez mais depressa, Kilpatrick transmite, através das suas músicas, imagens que remetem para a natureza, que apelam à calma e tranquilidade quase exigindo que se abrande o ritmo. Ao ouvir Sandy Kilpatrick tem-se a sensação de estar sentado num alpendre, a sentir na pele os primeiros raios de sol e o cheiro de uma brisa que levanta num fim de tarde soalheiro. É nesta celebração de sinestesias que se aguarda a visita de Sandy Kilpatrick ao Café Concerto do CCVF.

 

Durante o mês de maio, o Café Concerto do CCVF promete vários concertos que abrangem diferentes estilos musicais. O escocês Sandy Kilpatrick será o primeiro a subir ao palco, esta sexta-feira. No dia 15, temos a visita da islandesa Ólöf Arnalds, de quem Björk, sua conterrânea, disse ser alguém que tem em si a inocência da infância, mas também a profundidade de uma alma antiga. No dia 29, é a vez da portuguesa Mimicat transportar-nos para outros tempos.

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publicado às 13:44



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