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“Portugal merece ter um filme sobre ‘Os Maias’”. Assim justificou João Botelho a vontade que sentiu para rodar este filme, com um texto que afirma ser o sonho de qualquer realizador. Um retrato do nosso país que continua atual, volvidos quase 150 anos sobre a sua edição. A versão integral do filme é exibida no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, este domingo, 19 de outubro, às 21h30, encerrando assim o Ciclo de Cinema “KinoAtlas”, organizado pela Oficina e pelo Cineclube de Guimarães em torno da exposição “João Botelho / Só acredito num deus que saiba dançar” que esteve patente no Centro Internacional das Artes José de Guimarães entre 26 de julho e 12 de outubro.

 

João Botelho atirou-se para a rodagem deste filme sem medos. A grande obra de Eça de Queirós está mais atual do que nunca e o realizador afirma mesmo que “não mudou nada” no Portugal retratado por Eça. Para Botelho, o cinema em Portugal é de tão difícil execução que torna-se fundamental “filmar coisas importantes”. O filme tem um orçamento elevado para Portugal e contou com vários apoios inclusive do Brasil, país coprodutor.

 

Os interiores foram filmados em palacetes, em cidades como Lisboa ou Ponte de Lima e os exteriores são filmados em estúdio tendo como cenários belas telas gigantes produzidas a partir de pinturas do artista João Queiroz. O realizador mergulha nesta história sem adulterar o texto, limitando-se a fazer um difícil corta e cola da obra-prima de Eça, pois ninguém escreveria melhor esta história do que o próprio autor, como Botelho fez questão de afirmar.

 

A contar com um elenco de luxo do qual fazem parte, entre outros, João Perry, Adriano Luz, Catarina Wallenstein, Rita Blanco, Filipe Vargas, Ana Moreira e o barítono Jorge Vaz de Carvalho, que dá voz a Eça de Queirós, o narrador, Botelho afirma que este não é um filme de personagens, mas antes um filme de arquétipos. Vemos aqui, camada por camada as estruturas sociais que existiam há 150 anos atrás, aquando da escrita da obra que tanta polémica gerou, e que continuam presentes “numa imagem atual de um Portugal sem sentido”.

 

“Os Maias”, um clássico da literatura portuguesa e europeia, foi publicado em 1888 e conta a história de três gerações da família Maia. Dois dos protagonistas são os atores Graciano Dias, que dá vida a Carlos da Maia, e a atriz brasileira Maria Flor, que aqui veste a pele de Maria Eduarda. Juntos vão cometer incesto, uma das tragédias que marcam a família d’“Os Maias”.

 

Aproveitando a ocasião da exibição do filme, será também apresentado o catálogo que imortalizará a exposição “João Botelho / Só acredito num deus que saiba dançar”. A mostra, que esteve patente no Centro Internacional das Artes José de Guimarães até ao passado dia 12 de outubro, revela a construção de um atlas de referências e de afinidades que procura dar a ver as múltiplas e profundas relações com o imaginário da arte, desde a pré-história à contemporaneidade, detendo-se sobre a pintura, dos séculos XVI e XVII sobretudo, mas também mais recente, o cinema de Botelho.

 

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publicado às 20:43



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