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O Conselho Cultural da Universidade do Minho acaba de lançar a exposição e o livro-catálogo “A Imprensa Clandestina e do Exílio no Período 1926-1974”, de José Manuel Lopes Cordeiro. O historiador da UMinho apresenta aquela imprensa publicada no regime do Estado Novo segundo a orientação política de cada um dos jornais. A mostra está aberta ao público na galeria do salão medieval da Reitoria, no Largo do Paço, em Braga, até 16 de janeiro (salvo no interregno natalício).

 

“Todos os setores da oposição recorreram à edição e difusão destes jornais, em condições extremamente difíceis, para poderem expressar pontos de vista que o regime queria silenciar”, afirma José Lopes Cordeiro. “Os autores destas publicações arriscaram muitas vezes a vida, mas foi a única forma de ultrapassar a censura durante os 48 anos da ditadura”, diz o professor do Instituto de Ciências Sociais da UMinho.

 

O livro inclui 18 categorias de imprensa clandestina, entre as quais a “reviralhista”, anarquista, comunista, católica, de unidade antifascista e marxista-leninista. “A Voz das Camaradas”, “Luta Popular” e “O Grito do Povo” estão entre as seis centenas de jornais elencados. “Nunca se tinha feito uma investigação deste teor”, realça o autor, que tem vindo a estudar este tipo de imprensa.

 

A exposição inclui dezena e meia de painéis e escaparates, sendo enriquecida com exemplares de jornais clandestinos existentes na Biblioteca Pública de Braga e de bibliografia sobre o tema. Prevê-se a sua itinerância por Guimarães, Barcelos e Famalicão, entre outras localidades.

 

Esta iniciativa comemora a dupla efeméride dos 40 anos do 25 de Abril e dos 40 anos da UMinho, sob a égide do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea. O livro-catálogo de 124 páginas não pretende apresentar um repertório completo da imprensa clandestina e do exílio publicada no Estado Novo, mas assinalar condignamente as duas efemérides e chamar também a atenção para a necessidade de se elaborar um repertório daquela imprensa durante o quase meio século em que a sociedade portuguesa se viu privada das liberdades fundamentais.

 

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